O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu um procedimento para investigar se a venda de participação na mineradora Serra Verde, em Goiás, para a empresa americana USA Rare Earth configura ato de concentração que exigia aprovação prévia. A transação, avaliada em US$ 2,8 bilhões, prevê a criação de uma cadeia completa de produção de terras raras — da extração à fabricação de ímãs — fora da Ásia. A Serra Verde é a única mineradora fora da Ásia a produzir em escala comercial quatro elementos magnéticos essenciais, como neodímio e disprósio, usados em veículos elétricos e turbinas eólicas.
O acordo inclui um contrato de fornecimento de 15 anos e preços mínimos, garantindo previsibilidade de receita. A empresa defende que a operação fortalece o acesso a tecnologias de separação de terras raras, ainda não disponíveis no Brasil. Críticas de autoridades e uma ação no STF questionam a legalidade da negociação, argumentando que recursos do subsolo pertencem à União. O Cade ressalta que a abertura do procedimento não implica necessariamente irregularidades, podendo resultar em arquivamento.
A mineradora mantém planos de expandir a produção para 6,4 mil toneladas anuais de óxidos de terras raras até 2027, com investimentos já superiores a US$ 1 bilhão.
Perspectiva de Mercado
A Serra Verde não é listada em bolsa, mas o setor de terras raras pode atrair atenção de investidores. No curto prazo, o desfecho da investigação do Cade e da ação no STF pode gerar volatilidade para empresas do setor. A demanda por ímãs permanentes para energia limpa sustenta perspectivas positivas de longo prazo, mas riscos regulatórios no Brasil podem limitar avanços imediatos.
Fonte: G1 Economia
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